Do mangue ao morro: 18ª Conferência Municipal de Saúde do Recife debate desafios da participação social e fortalece caminhos para o SUS nos níveis Estadual e Nacional
- 25 de jun.
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No dia 11 de junho, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) do Recife, em parceria com a Secretaria de Saúde do Recife, realizou a 18ª Conferência Municipal de Saúde, no Centro de Eventos Recife, localizado no bairro da Imbiribeira. Como etapa preparatória para a 18ª Conferência Nacional de Saúde, o evento reuniu conselheiros e conselheiras municipais, distritais e de unidades de saúde, além de representantes da sociedade civil, gestores e trabalhadores da rede municipal, em mais um importante momento de fortalecimento do controle social no município.
A programação teve início com o credenciamento dos(as) delegados(as) e observadores(as), seguido da solenidade de abertura, que contou com uma apresentação cultural do Trio do Hugão, autêntico trio pé-de-serra que animou os participantes. Em seguida, foram apresentados os integrantes da mesa de abertura: Dayse Lopes, coordenadora do CMS Recife; Euclides Monteiro, vice-coordenador do CMS Recife; Liana Lisboa, representante do Conselho Estadual de Saúde de Pernambuco; Roberta Amorim, representante da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde em Pernambuco; e Luciana Albuquerque, secretária de Saúde do Recife.
Durante sua fala, a coordenadora do CMS Recife, Dayse Lopes, destacou a importância da realização da conferência e os desafios enfrentados durante sua organização. “Nos vimos diante do desafio de realizar uma conferência em um curto espaço de tempo. Percorremos os oito Distritos Sanitários dialogando sobre essa necessidade. Como não fugimos à luta, Recife não poderia deixar de participar dessa importante etapa. Entretanto, diversos municípios brasileiros enfrentaram dificuldades semelhantes. Estamos alertando sobre isso desde novembro”, afirmou, referindo-se ao calendário estabelecido pelo Conselho Nacional de Saúde, que determinou a realização das etapas municipais até o dia 4 de julho de 2026.
Dayse também ressaltou a qualidade dos debates realizados durante o processo preparatório: “Chego aqui feliz. Para mim, esta é uma das melhores conferências de que participei, porque conseguimos debater cada eixo temático nos Distritos Sanitários. Cada conselheiro e conselheira já chega com suas propostas prontas para aprofundar as discussões nos grupos de trabalho. É isso que caracteriza uma verdadeira conferência: o debate qualificado. Esta não é apenas mais uma conferência, mas uma conferência construída com muito esforço e mobilização. Temos orgulho de cada detalhe desse processo.”
O vice-coordenador do CMS Recife, Euclides Monteiro, destacou que a realização da conferência ocorreu mesmo diante das dificuldades impostas pela ausência de previsão orçamentária específica para uma nova etapa conferencial, parabenizando todos os envolvidos pela construção coletiva das propostas.
A secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque, também enfatizou a relevância do evento para o fortalecimento da participação social. “Aqui temos a representação dos usuários, dos gestores e dos trabalhadores. É um espaço onde todos têm voz e onde podemos construir, juntos, os caminhos para o fortalecimento do SUS”, afirmou.
Encerrando a solenidade de abertura, Cinthia Kalyne, Pró-Reitora para Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ministrou a Conferência Magna com o tema “Saúde, Democracia e Controle Social: do mangue ao morro, fortalecendo o SUS em Recife com cuidado integral”.
Durante sua exposição, destacou a importância da participação popular na formulação das políticas públicas e refletiu sobre os impactos do afastamento da população dos processos decisórios. “Afastar o povo das decisões políticas é uma das características dos governos autoritários, que, ao mesmo tempo em que enfraquecem a participação direta da população, favorecem interesses econômicos em detrimento do interesse coletivo”, afirmou.
Ao abordar os eixos temáticos da conferência, ressaltou a relação indissociável entre democracia, saúde como direito e controle social. Também enfatizou a necessidade de ampliar o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando que não há garantia de direitos sem recursos adequados para sua implementação. Além disso, abordou os impactos das emergências climáticas e das desigualdades socioambientais, especialmente no que se refere ao racismo ambiental e à forma como populações historicamente vulnerabilizadas são desproporcionalmente afetadas. Também defendeu o fortalecimento dos modelos de atenção e gestão voltados ao cuidado integral, à ampliação do acesso e à garantia do direito universal à saúde.
Após a Conferência Magna, a coordenação geral do CMS Recife realizou a leitura do Regimento Interno, relembrando aos(às) delegados(as) os procedimentos e normas que orientam as atividades ao longo do dia.
Na sequência, os(as) participantes foram distribuídos em grupos de trabalho para discussão, análise e aprovação das propostas, conforme previsto no Regimento Interno. Encerrada essa etapa, todos se reuniram na Plenária Final para socialização das propostas construídas coletivamente em cada eixo temático, além da apreciação e aprovação de moções.
Ao término da programação, foi realizado o processo eleitoral para escolha dos(as) delegados(as) que representarão o Recife na etapa Macrorregional da 11ª Conferência Estadual de Saúde de Pernambuco.













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